Ordem do Templo
Tomar foi uma das sedes da Ordem do Templo em Portugal. Depois de Braga, Soure e Santarém, e antes de Castelo Branco, Tomar foi o centro da Ordem, entre 1160 e 1214. Nesses anos, recebeu como Grão-Mestres os cavaleiros portugueses, todos eles sepultados na igreja de Santa Maria dos Olival: Gualdim Pais, Lopo Fernandes, Fernão Dias, João Domingues, Gomes Ramires e Pedro Alvites, segundo as sucessões estabelecidas por Vieira Guimarães, Francisco de Pina Lopes, Francis Gutton, Pinharanda Gomes e José Manuel Capêlo.
D. fr. Gualdim Pais foi Grão-Mestre entre 1159 e 1195, durante os reinados de D. Afonso Henriques e D. Sancho I. Filho de nobres, teria nascido curiosamente em 1118, no local onde é hoje Barcelinhos. Terá sido criado no Paço e educado pelo próprio D. Afonso Henriques. Foi assim seu companheiro e escudeiro desde muito novo, pelo que, após a Batalha de Ourique (em 1140), recebe pelo recém-aclamado rei, as esporas e a armadura de cavaleiro. Entusiasmou-se pelas Cruzadas e rumou à Terra Santa em finais de 1151. Pelo seu valor reconhecido, é admitido na milícia. Em 1159, acaba com o diferendo entre a Ordem e o bispo de Lisboa. Nenhuma das partes cedia e a ausência de uma intervenção por parte do rei no conflito, levou à já referida doação de Ceres à Ordem. Deu início à construção do castelo de Tomar em março de 1160, bem como ao seu povoamento, através de colonos, que se regeriam pelo direito e costumes de Santarém. De Almourol, foi transportada uma lápide branca para a entrada da capela-mor, sobre a sacristia velha do Convento de Tomar, pelo Infante D. Henrique (então administrador da Ordem de Cristo, séc. XV), dignificando os seus feitos. Em 1162, concede o foral aos povoadores, cavaleiros-vilãos e peões herdadores. Tomar tornou-se num concelho de categoria elevada (Capêlo, 2008). Gualdim Pais construiu os castelos de Tomar, como referido, Pombal (1161), Castelo Novo (1165), Ourém (1180) e Idanha-a-Velha (1197); e restaurou os castelos de Almourol e Monsanto (1165) e Ozêzere (1172) (Capêlo, 2008; Schaefer, 1893). Em 1190, o castelo de Tomar foi cercado pelos mouros durante 6 dias. A Milícia, sob o comando de Gualdim Pais, o “duro velho”, defendeu-se como podia. O califa foi obrigado a retirar, mas foi devastando as colheitas e as habitações em redor. Tomar levou muito tempo a recuperar, mas o infortúnio foi considerado como uma das maiores façanhas de defesa templárias. No castelo, a porta sul tem o nome de Porta do Sangue, por alusão ao cerco. Morreu a 13 de Outubro de 1195, com 77 anos de idade, após 56 na Ordem e 35 de mestrado. Foi o primeiro Mestre a ser sepultado num mausoléu, hoje inexistente, na igreja de Santa Maria do Olival. No século XVI, após profundas transformações na igreja, foi colocada uma lápide na parede, em sua honra.
D. fr. Lopo Fernandes era o protegido e favorito de Gualdim Pais. Naturalmente, foi o seu sucessor, entre 1195 e 1199. Com um futuro promissor à frente da Ordem, acabou por morrer em Cuidad Rodrigo, num cerco no seguimento da guerra entre Portugal e Leão.
D. fr. Fernão Dias foi Grão-Mestre entre 1199 e 1206. Foi eleito por reunião do Capítulo e confirmação régia. No início, enfrentou uma invasão muçulmana que culminou com a reconquista do castelo de Torres Novas. D. Sancho I contou com o seu importante contributo: um grande corpo de Cavaleiros, familiares e vassalos. Em 1206, uma grande fome assolou o país, nomeadamente em Tomar, e consequentemente, a peste dizimou boa parte da população. Alguns Templários não escaparam e como tal, também Fernão Dias morreu nesse mesmo ano. Foi no seu mestrado de 44 anos, que Tomar acabou de edificar o castelo e grande parte da vila.
D. fr. João Domingues foi Grão-Mestre entre 1206 e 1209, eleito por reunião do Capítulo e confirmação régia, como o seu antecessor. Empenhou-se em enfrentar os muçulmanos além Tejo e no seu povoamento, bem como em defender a orla fronteiriça da Beira Interior. O seu mestrado de três anos terminou com a sua morte.
D. fr. Gomes Ramires foi eleito por reunião do Capítulo e confirmação régia, mantendo o título de Grão-Mestre entre 1210 e 1212. Morreu na batalha de Navas de Tolosa, importante para a cristandade da Península Ibérica, fazendo parte de um exército composto por elementos do Templo, Santiago, Hospital e Avis. O seu corpo foi transladado para Portugal numa grande cerimónia fúnebre e austera.
Por último, D. fr. Pedro Alvites, Grão-Mestre entre 1212 e 1221, renunciou, por razões desconhecidas, uma vez que foi sob o seu mestrado que a Ordem alcançou a sua maior independência, só atingida até então por Gualdim Pais, 50 anos antes. Foi eleito por reunião do Capítulo e confirmação régia e eleito também como o 1º Mestre nos três Reinos: Portugal, Leão e Castela. À data da sua nomeação, tomou D. fr. Mendo Gonçalves como seu lugar-tenente e tornou-o Comendador e Alcaide de Tomar. Também D. fr. Egídio Eulésio foi feito Comendador de Almourol e D. fr. Eulásio nomeado Prior de Tomar. Inocêncio III confirmou a doação de Pombal, Redinha e Ega e reafirmou em bula, como já tinha acontecido no tempo de Gualdim Pais, a independência das igrejas sob a jurisdição de Tomar. Entretanto, o bispo D. Gilberto ia lançando dúvidas sobre a Ordem, ao que parece por inveja, tendo sido emitidas bulas, relativamente à isenção das igrejas de Ceras, por antecessores a Inocêncio III (por Adriano IV, Alexandre III e Urbano III) e por uma última bula, ponto fim à questão, pelo papa Honório III. A confiança na Ordem era tal, que o rei D. Afonso II nomeou Pedro Alvites como um dos seus testamenteiros (até que os infantes tivessem idade para administrar os seus bens) e entregou à ordem uma porção das suas riquezas. Terá morrido em Castelo Branco e sido transladado para a igreja de Santa Maria do Olival, juntando-se a todos os anteriores.
O panteão dos Mestres original terá sido mandado destruir em 1530, pelo Prior-mor da Ordem de Cristo, o Inquisidor Geral fr. António de Lisboa.


